terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Filme: A Muse/Eungyo


Sinopse: Um escritor de 70 anos se apaixona por sua cuidadora de 17 anos.

A sinopse é muito curta para explicar afundo o turbilhão de sentimentos envoltos neste filme. É diferente de tudo que provavelmente já vimos em outros filmes que abordem este tipo de relação. Considerando que ele é um senhor de 70 anos e ela uma menina de 17, quero que tenham em mente que este sentimento que ele nutre por ela se chama pedofilia... sendo assim, deveria ser um filme mais tenso, desconfortável, mas a beleza e a suavidade com que é retratado não deixa a história cair em lugares comuns pelo menos não de início.


Lee Juk Yo é o tal senhor. Poeta de renome e professor universitário, é um senhor recluso e que conta com a ajuda de seu pupilo. Não temos grandes detalhes sobre sua vida, porém, já nas primeiras cenas, percebe-se que há muito ele já não sente os mesmos desejos que na sua juventude devido a alguns segundos em que ele observa sua nudez em frente ao espelho de seu quarto, como se quisesse entender o que há de errado ou por que não é mais como costumava ser. Tudo muda quando, ao chegar em casa, encontra a jovem Eun Gyo deitada em sua varanda. Mesmo que, em sua mente, fantasie sobre como seria ter uma relação com a jovem, vemos que o idoso também gostaria de poder ser mais jovem para viver tal relacionamento e daí surge o poema com o nome dela.


Eun Gyo é a colegial. Com ares de Lolita, temos uma espécie de releitura repaginada do clássico. Eung Gyo é uma menina que tem um jeito todo encantador de ser. Ela vai a escola e passa suas tardes trabalhando como cuidadora de Juk Yo, já que seu pupilo está ocupado demais para continuar trabalhando para ele. Em momento algum, é visível o interesse da menina em algum relacionamento mais sério com o senhor, afinal, ela ainda é uma adolescente e, apesar de se interessar pelo aprendizado e as vivências que Juk Yo pode compartilhar com ela, gosta de coisas feitas para sua idade, como homens jovens e saias curtas.


O engenheiro Seo Ji Woo é o parasita do triângulo amoroso. Alguém sem talentos e predicados que está disposto a tudo por reconhecimento, até mesmo cobiçar e roubar aquilo não é seu. A insensibilidade é muito presente também, vide as cenas do espelho e quando chama Eun Gyo para lhe levar alguns remédios em casa. Ji Woo é aqueles vilões de dorama que a gente ama odiar, mas que se fazem muito necessário para que a história saia do lugar. Seu fim é trágico, como é de se esperar, entretanto, ao mesmo tempo em que penso que foi o ótimo o acontecido, penso que também foi um desperdício, afinal, ele poderia ser usado para desenvolver a personagem de Eun Gyo em vários aspectos, uma vez que eles desenvolvem um tipo de contato mais próximo na parte final do enredo.


Praticamente não há elenco de apoio, apenas algumas pessoas que vem e vão para que as coisas aconteçam. E, aos poucos, nos envolvemos na trama, que, aliás, vai muito além de um idoso que se apaixona por uma adolescente. Há toda uma atmosfera de criar, aprender e usurpar algo, respectivamente nesta ordem. E em nenhuma cena há uma romantização das situações, apenas vemos Eun Gyo interessada em aprender mais com alguém que já está neste mundo há muito mais tempo que ela e Juk Yo imaginar situações, sofrer por não poder realizá-las, porém aproveitar os momentos que tem ao lado de sua musa. Todavia, os rumos que o enredo toma na parte final perdem um pouco a graça, pois não condizem totalmente um com outro e se tornam recursos mal aproveitados. O filme é bom, a montagem cenográfica é excepcional e há um tom atemporal na obra, como se pudesse se passar em qualquer época tranquilamente apenas mexendo em alguns ligeiros detalhes, sem contar que o trio de atores é maravilhoso, com destaque para Kim Eun Go, lógico.

Mensagem Subliminar:

O gramado do amigo sempre é mais bonito.

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