segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Dorama: Hello, My Twenties/Age of Youth



Sinopse: Cinco garotas dividem uma casa entre tapas e beijos.

Este é mais um da série: doramas que vou levar para a vida dentro do meu coraçãozinho. Não é triste nem feliz ou fofo demais. Tudo é equilibrado, na medida certa para não enjoar. As personagens são bem desenvolvidas e não temos uma protagonista e, sim, cinco, focando cada episódio em uma delas e em seus conflitos pessoais. A bem da verdade é que Belle Epoque ficou pequena para tantas tretas em alguns determinados momentos.


A história começa quando Yoo Eun Jae vai morar na pensão da tia ruiva Belle Epoque junto com as outras quatro meninas. Diferente das outras, a mais nova moradora é introvertida, do interior e não consegue, de primeira instância, se adaptar aos costumes das outras, principalmente de sua colega de quarto, a qual ela só chega a conhecer dias depois de ter se mudado pelo fato de que a outra é a mais velha, tem dois empregos e está terminando a faculdade. Eun Jae é misteriosa em relação ao seu passado, que só vem à tona quase no fim da história.
Confesso: nunca tinha visto Park Hye Soo em drama nenhum, porém a achei perfeita para este tipo de papel. Inúmeros foram os momentos em que senti pena de sua personagem ou quis apertá-la de tão fofa que ela era. Sem falar que é possível, aos poucos, se envolver com a personagem a ponto de sentir os conflitos da mesma como se fossem seus.


Jung Ye Eun é o tipo de garota mimada que todos os roteiristas acham necessário ter no enredo. A única diferença entre ela e as outras é que é possível amá-la, sim! Por mais terrível que isso pareça, Ye Eun é aquela amiga patricinha que, vez ou outra, temos vontade de socar, mas é impossível não gostar dela. A garota é fofa, toda moderninha e cheia de manias, no entanto, é uma das que mais sofre calada dentre todas. Jung está em um relacionamento abusivo e, considerando que apenas ela não consegue se dar conta, as amigas começam a ficar extremamente preocupadas com as situações que passam de corriqueiras à gravíssimas em um piscar de olhos. Foi a ilustração perfeita de o que é, como se origina e quais são as consequências da violência contra a mulher. Quanto a isso, a atriz, Han Seung Yeon, ex-KARA, foi excelente, demonstrando toda a ansiedade, medo e o transtorno os abusos físicos e psicológicos podem causar em uma pessoa.


Song Ji Won é a MIGA SUA LOUCA do rolê. Bebe todas, não é a pessoa mais educada do universo, sempre a caça de algum homem que aceite ser seu namorado, o único instrumento que ela é capaz de tocar é o terror... sem sombra de dúvidas, A MELHOR PERSONAGEM DO DORAMA INTEIRO! Ji Won faz jornalismo - por que será que gostei dela? -, trabalha no jornal da faculdade e é uma mentirosa compulsiva. Mesmo na personagem mais engraçada é possível notar que há um distúrbio, pois Ji Won é incapaz de entender que nem sempre as coisas são como ela quer que sejam, inclusive a realidade. A aprendiz de Nelson Rubens ok ok inventa história absurdas na intenção de tornar o cotidiano mais interessante sem medir as consequências que podem acarretar.
Apesar de extensa carreira de Park Eun Bin, não assisti nenhum dos dramas que ela fez, sendo que o mais popular foi Dream High - sim, nunca assisti Dream High! -, mas, depois de vê-la em Hello, My Twenties, entendi porque seu currículo é tão grande e começa tão cedo. Um ótima atriz, apenas isso.


Kang Yi Na parece rica. Tem tudo o que quer, na hora que quer, não trabalha ou estuda e é a única que tem um quarto só para si, ou seja, paga bem mais que as outras de aluguel. Assim como todas as outras, Yi Na tem um segredo, que não fica oculto por muito tempo: ela se prostitui. Sinceramente, não pensei que ia viver o suficiente para ver um dorama abordar a prostituição de uma forma cotidiana e não como uma mulher que está num determinado espaço, onde trabalha vendendo seu corpo ou informação para homens em filmes de ação. Yi Na é uma acompanhante de luxo. Em troca de uma vida confortável, a mulher assume o papel de namorada do homem até que este comece a lhe trazer problemas e ela tenha que embarcar em outro bom negócio. Simples assim. Ryu Hwa Young deu o tom de naturalidade necessário para a personagem, sem muitos excessos, tinha uma vida dupla, entretanto, uma não afetava a outra. Mais para o final da história, vemos Yi Na resolvendo lidar com as mesmas coisas que as amigas: trabalho e faculdade. Pois ela decidiu que era hora de deixar a vida que levava.


Por último, temos Yoon Jin Myung, a trabalhadora do grupo. Sendo a mais velha, é a que já está quase se formando, todavia, não para em casa não só pela faculdade, mas pelos seus dois empregos também, por isso, ela e Eun Jae se conhecem apenas dias depois de já estarem dividindo o quarto. Jin Myung sofre em silêncio. A mãe a ignora a anos porque passou os últimos seis anos cuidando do irmão em estado vegetativo; é constantemente humilhada em um de seus empregos pelo gerente; tem pouquíssimo tempo para descanso. Jin Myung é a guerreira que todo drama precisa ter. Aos poucos, pode-se notar os pequenos atritos que surgem entre Yi Na e ela, pois uma trabalha até a exaustão para ter o mínimo e a outra tem um vida fácil e regalada.
Han Ye Ri trouxe um ar mais sério a produção. Claramente mais velha que as outras companheiras de elenco,Ye Ri tem marcas de expressões bem condizentes com seus tipo de personagem e acrescenta e muito com seu tom pouco descontraído, muitas vezes, sisudo e alheia ao que acontece ao seu redor por não permanecer tempo suficiente em lugar nenhum para saber o que de fato está acontecendo.


Tem também os machos da produção. Um para cada uma, claro, porque toda panela tem sua tampa. Temos o colega de faculdade de Eun Jae, o macho escroto de Ye Eun, todos os homens com que Yi Na se relacionou, incluindo o amigo prostituto e o tiozão lá, o chefe escrotão e o cozinheiro salvador de dozelas de Jin Myung. Não vou detalhar sobre eles, afinal, o enredo também não faz isso. Os homens funcionam apenas como peça-chave para que as situações aconteçam na vida das mulheres, como agentes desencadeadores de determinados momentos. Eles têm lá sua importância, porém não são a parte principal, que é mais focada no convívio das meninas em si.


Apesar da leveza com que os episódios passam, o enredo tem muitas partes pesadíssimas, que nos fazem repensar como a vida adulta funciona. Os acontecidos encurralam as garotas de formas arrebatadoras e as deixam sem chão para que possam refletir e encontrar uma saída juntas, provando que andando sozinha elas vão bem, mas acompanhadas vão muito melhor. Talvez o roteiro não tivesse muitas pretensões além de ser interessante e entreter seu público durante sua exibição. Ou talvez ele fosse ambicioso o suficiente para provar algo para as pessoas e expor problemas que estão em nosso dia-a-dia e nem percebemos. Seja como for, é ótimo ter um revigor assim na teledramaturgia coreana.

OBS final: ~rufar de tambores~ foi anunciado no começo do ano (2017) que VAI TER SEGUNDA TEMPORADA, SIM!

Mensagem Subliminar:

Resolução dos problemas em geral: junta as amigas e bebe que passa.

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