terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Filme: Confessions


Sinopse: Uma professora deseja vingança pela morte de sua filha, causada por dois de seus alunos.

Quem lê este blog há um tempo ― ou já leu todas as resenhas que já postei ― sabe que não sou muito fã de japoneses quando o assunto é atuação. Hipérbole demais, fraco demais, morno demais. É sempre assim. Mas não desta vez! Sim, achei um filme japa que me agradasse e não estava contando que isso ia acontecer. Claro que tem muita gente no elenco deste filme ― e todos são importante para o desenrolar da história ―, porém só vou falar dos principais mesmo.


Moriguchi Yoko é professora que acabou de se demitir. Há algum tempo ― muito pouco, pelo que consegui perceber ―, perdeu sua filha de quatro anos em um afogamento acidental. No entanto, ela sabe que não foi acidental e sabe quem foram os culpados pelo assassinato de sua filha. Em seu último dia de trabalho, resolve dividir com seus alunos sua versão dos fatos e o que fez com os culpados. Por incrível que pareça, no começo, a atuação não muito expressiva e até meio parada da senhorita Matsu Takako não me impressionou muito, porém, depois, comecei a sentir a tensão e a distância com que ela tratava os fatos quando não relatava o seu relacionamento com a filha, fazendo com que percebesse qual realmente era a atmosfera que ela ficara encarregada de implantar.


Watanabe Shuya é o grande criminoso da coisa toda. Ok, ele só tinha treze anos, só que isso não faz dele menos criminoso. Shuya é o clássico menino complexado da história, tudo o que faz é justificado pela falta que sente da mãe e o quanto quer impressioná-la, mostrando a ela que os laços de sangue fizeram dele uma pessoa tão genial quanto a própria. É perceptível em Shuya a incansável busca por atenção e reconhecimento, não só da mãe, mas de todos que o cercam, fazendo com que tornem-se vítimas de seus pensamentos e planos sádicos. Ele convence a Naoki em pôr seu plano em prática, afinal de contas, ele precisava de alguém que fosse testemunha e espalhasse para todos suas peripécias.


Shimomura Naoki é um menino, que, até então, era bonzinho e de repente enlouqueceu de vez. Naoki queria ter amigos, pois era ignorado por todos os colegas de classe, por isso, juntou-se a Shuya achando que ele realmente queria ser seu amigo. No entanto, Naoki acabou se tornando outra vítima de Shuya, que, por sua vez, não conseguiu completar seu plano de matar a única filha da professora com sua invenção e teve o serviço finalizado por Naoki. Na primeira vez em que os atos de Naoki são apresentados, dá-se a entender que ele não queria matar a garotinha, mas, com o desenrolar da trama, entendemos o que realmente queria e, ao não conseguir isso, quis se vingar de quem quer que cruzasse seu caminho.


Aqui está o que se tornou o grande mistério para mim, Kitahara Mizuki. Até agora não consegui compreender se a tal Lunacy era ela ou se Mizuki era apenas mais uma dos milhões de admiradores que a pequena assassina tinha adquirido após matar sua família inteira com cianeto e relatar tudo o que presenciou em um blog. Mizuki queria se matar. Por quê? Não sei. Só sei que ela fazia parte de um grande número ― pelo que eu notei ― de jovens que queriam se matar. Que futuro promissor, hein, galera? Mizuki não foi uma grande estrela durante o filme, era apenas aquela coadjuvante que sempre tinha um ombro amigo a oferecer para Shuya, que o compreendeu sempre e entendeu quais eram as reais intenções da professora Moriguchi.


Ultimamente estou muito séria quando falo sobre as coisas que assisto ou leio, então, vou tentar não ficar tão séria assim aqui. A trama do filme é bem construída, pouco a pouco, conseguimos perceber quais são as reais intenções e objetivos dos personagens e, com exceção de Kitahara, compreendemos as várias razões que os levam a crer que aquelas são suas melhores opções. De início, é difícil entendermos o lado de cada personagem e nos colocarmos em seus lugares, tentar pensar igual ou semelhante a eles. Não é uma tarefa fácil. É perturbadora, na verdade. E, por um minuto, é impossível não pensar em como podem existir pessoas assim ou se realmente existem pessoas assim, mas, depois daquela notícia uns tempos atrás sobre um garoto chinês que vendeu um dos rins no mercado negro para comprar um iPhone e quase morreu de insuficiência renal, eu acredito em tudo! Entretanto, um ponto altíssimo do filme são as cenas em que mostram a ignorância dos jovens, que são maldosos e, ao mesmo tempo, muito inocentes com relação a assuntos sérios e de extremam importância, como a diferença entre AIDS e HIV, vias de contágio ― vide a cena em que uma aluna tranca a respiração quando sabe que Moriguchi tinha uma relacionamento com um portador de HIV ― e o velho tabu de que pessoas saudáveis não podem ter relacionamentos com soropositivos.  A fotografia recheada de cores frias e mórbidas, os cenários, a interação e ligação dos personagens e suas história em si são um show a parte, óbvio... Com isso, só tenho que dizer assista Confessions, será um dos melhores filmes japoneses que irá assistir na sua vida, sem dúvida alguma.

Mensagem subliminar:

A dinastia e os samurais não desapareceram completamente. A diferença é que não se usa mais espadas.


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